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Os porquês da vida

 Aline Langner Dal Ri

Não raro, somos instados a refletir sobre os porquês da vida, em face das adversidades do caminho que ora trilhamos. Assim, passamos a questionar o lugar em que estamos colocados, a situação financeira ou social em que vivemos, a família que possuímos, os amigos e/ou inimigos que cruzam as paragens da existência, etc.
Esse momento de meditação sobre o sentido da vida é de suma importância, pois nos proporciona a lucidez sobre nosso papel no contexto da criação Divina.
Contudo, mais importante do que questionarmos é procurarmos as respostas certas, pois a verdade é que nos liberta. Nesse diapasão, encontramos na Doutrina Espírita o esclarecimento das inquirições mais íntimas que pululam em nossa alma. Representando o Consolador Prometido pelo Cristo Jesus, o Espiritismo vem nos explicar sobre nossa essência espiritual e nos alertar sobre nossas responsabilidades perante a vida na matéria.
Somos Espíritos eternos e viemos, por meio das diversas vezes em que habitamos um corpo físico (encarnações), adquirindo experiências que nos levarão, mais ou menos rápido, ao aprimoramento intelectual e moral. Insta referir que temos gravada, no imo de nossa alma, a essência de toda a Lei Divina, a qual carece, por nossa parte, de proveitoso cultivo para florescer, gerando os frutos do amor verdadeiro.
Quanto mais nos libertamos das amarras de nossos vícios morais, mais nos aproximamos da tão almejada felicidade, pois a paz da consciência nasce da certeza do dever cumprido e da harmonia entre nossas ações e a Lei Divina.
Nessa esteira de raciocínio, a cada encarnação temos oportunidades valiosas de nos despirmos, pouco a pouco, das nossas imperfeições morais (orgulho, vaidade, egoísmo, prepotência, etc). Assim, tudo que nos ocorre tem um único sentido: o de tornar-nos pessoas melhores, mais iluminadas.
Por força dessas experiências da vida, trazidas pelas vivências do dia-a-dia, vamos registrando, em nossas consciências, o sucesso ou o equívoco de nossas atitudes, movidos pelos sentimentos que predominam em nossa alma.
Nesse ínterim, podemos nos comprometer perante nossa própria consciência, gerando pendores para as existências vindouras, ou plantar o bem e o amor, preparando uma futura encarnação de bênçãos e de paz.
Para a maioria das perguntas, já temos as respostas, pois Jesus nos mostrou o caminho, a verdade e a vida, dizendo que não iríamos ao Pai senão pela prática de seu Evangelho. Portanto, a prática do amor, na sua essência mais cristã, é o caminho para uma vida mais responsável.
Essa responsabilidade nasce da consciência de que somos livres para escolher o que fazer, quando e de que forma agir, mas obrigados a responder pelas consequências de nossas escolhas, nessa ou em outra existência física. Ninguém escapa ao julgamento supremo, realizado pela nossa própria consciência, que tudo sabe e tudo vê.
Portanto, Deus, na sua infinita misericórdia, sabe de nossas necessidades evolutivas e da nossa dificuldade em nos despirmos do “homem velho” que habita em nós. Deus nos ama, no sentido mais profundo que podemos apreender dessa palavra bendita, que é o amor. Por isso, nos oferece as situações da vida como oportunidades de refletirmos sobre nós, sobre nossos comportamentos e, principalmente, sobre os sentimentos que nos movem.
Desse modo, se algo nos acontecer de menos feliz, saibamos que é fruto de nossas próprias atitudes de um passado próximo ou remoto, ou o momento de provarmos o aprendizado das lições do Cristo Jesus. Consequentemente, estamos, sempre, no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas para vivermos o testemunho do amor sincero e verdadeiro. Não reclamemos; trabalhemos pelo nosso progresso moral e, com certeza, dias melhores virão.
 


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