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A terapia da esperança

 
 
A saúde e a qualidade de vida das pessoas estão relacionadas a muitos fatores, entre eles: hereditários, genéticos, alimentares, sedentarismo, fatores ambientais, hábitos. Mas estudos comprovam que os fatores emocionais também têm um papel fundamental na vida dos indivíduos.
 
            Assim vemos que aqueles que tem um caráter pessimista, desesperançado estão mais propensos ao infarto.
 
            Quanto ao câncer, alguns fatores emocionais se destacam: incapacidade de manifestar sentimentos (repressão emocional) e tendência para o pessimismo; o desânimo e o desespero em face aos problemas; depressão e ausência de um projeto de vida são fatores que favorecem o aparecimento do câncer e também no surgimento de metástases.
 
            A pesquisadora Nancy Blandey da Universidade de Miami trabalhando com indivíduos portadores do vírus HIV constatou que aqueles que tinham um elevado nível de imunoglobulina de anticorpos (indicadores de maior infecção) eram os que se demonstravam mais retraídos, deprimidos, sem esperança. Os que eram mais aguerridos, lutadores, tinham esperança de vencer, possuíam melhores respostas ao tratamento.
 
            A evolução pós-operatória de pacientes que notadamente não perderam a esperança e demonstram fé no futuro são claramente mais favoráveis.
 
            Feita uma investigação em 22 pacientes com regressão espontânea de câncer, demonstrou-se três características básicas:
 
            - aceitação da doença e decisão de lutar sem desfalecer;
 
            - continuação normal da vida, depois da crise aguda;
 
            - desenvolvimento de confiança, sem perder a esperança no futuro.
 
            Cada vez mais se constata que o desespero, associado aos geradores do estresse, são considerados como fatores emocionais preponderantes no desfalecimento do sistema de defesa (imunológico) do organismo.
 
            Diante de tantas evidências a ESPERANÇA tem se destacado como um apoio fundamental e catalisador do processo de cura e de conquista da felicidade do ser.
 
            Hoje a ESPERANÇA é considerada como uma eficaz terapia no tratamento contra a depressão e outras doenças do corpo físico.
 
            O que é a esperança? É uma crença emocional na possibilidade de ter resultados positivos relacionados a eventos e circunstancias da vida pessoal. Está relacionada a uma expectativa positiva, ao ato de confiança em algo ou alguém. É uma das 3 virtudes cristãs : FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE, sendo a esperança a grande consoladora e que dá suporte às relações humanas.
 
            Dra. Jennifer Cheavesco afirma que a esperança pode ser ensinada e desenvolvida. Portanto, é algo que se pode aprender.
 
            Como aprender a ter esperança ou desenvolvê-la? Faz-se necessário o indivíduo sair do comodismo e começar pela identificação de objetivos para a vida, traçando meios de alcançá-los, e promovendo, periodicamente, a própria motivação.
 
            Algumas características são necessárias: perseverança, otimismo, confiança, paciência (saber esperar), flexibilidade (conseguir se relacionar com os fatos, sem necessariamente bater de frente contra eles), substituir a ira pela compaixão e a gratidão; e não levar as coisas tão a sério (levar a vida de forma mais 'leve'); não fazer 'tempestade em um copo d'água', e questionar-se: O que posso aprender com esta situação? Há outra forma de encarar isto? O que Deus quer me mostrar com isto? 
 
            Como saber se tenho esperança? “Se você sente que sabe obter o que você quer na vida, e você tem vontade para isso, então você tem esperança.” (Snyder)
 
            A ação da esperança
 
            EMOCIONALMENTE: produz um sentimento de consolo, tranquilidade e segurança;
 
            COMPORTAMENTAL: influi positivamente nas relações interpessoais gerando um diálogo mais espontâneo, sincero, aberto;
 
            ESPIRITUALMENTE: a esperança é expressão de fé na vida, do entendimento de um objetivo transcendente da existência e confiança na justiça superior (divina). 
 
            Esperança raciocinada
 
            A quarta parte de O Livro dos Espíritos1 nos fala das ESPERANÇAS E CONSOLAÇÕES, capítulo onde se entende a verdadeira justiça divina, baseada no amor e na misericórdia de Deus.
 
            Com o entendimento espírita tudo na vida ganha um sentido: os sofrimentos, as dificuldades, as doenças, as perdas, as diferenças sociais, culturais e econômicas... também as alegrias, os prazeres, a felicidade, os objetivos, as relações humanas, ganham um novo olhar.
 
            A reencarnação, junto com a lei de causa e efeito e a lei de evolução explica racionalmente a justiça divina. Ninguém é privilegiado ou prejudicado por Deus. Somos seres autoconstrutores e herdeiros das nossas próprias ações, fadados à evolução, sujeitos às leis sabias e justas. O que sou hoje é resultado das minhas ações no passado e o que serei amanhã será resultado do que edifico hoje. Isto nos faz crer no grande potencial existente dentro de nós, capaz de superar qualquer adversidade, que nada mais são do que uma das formas de resgate e aprendizado no método educacional divino.
 
            Em O Evangelho segundo o Espiritismo2, no capítulo 19, entendemos que a esperança, assim como a caridade, são resultantes da fé. Fé quer dizer fidelidade, confiança. Somente a fé raciocinada é inabalável, pois está embasada na razão e não em fantasias, desejos ou dogmas. Assim como a esperança inabalável está embasada na fé raciocinada. Portanto, fé e esperança não são somente condições religiosas, mas alicerces emocionais conquistados com muita meditação, estudo e reflexão.
 
            A esperança é o remédio eficaz para suportar o sofrimento, enfrentar a dor e encarar a morte com serenidade. Quem a possui tem força para superar qualquer situação e cria condições favoráveis para construir uma vida feliz e saudável.
 
Luis Roberto Scholl
1KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB.
2______. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB. 
 

 


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